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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Os Ridículos

51 Números do Jornal Humorístico "Os Ridículos" após o 25 de Abril de 74.

51 Números
do Nº 196 de 01-08-1974 ao Nº 248 de 31-07-1975
(  Falta : Nº 200  e 246 )

 Nas vésperas do 25 de Abril, as dificuldades financeiras do povo português, o futebol e os festivais da canção (da RTP e o eurovisivo) eram temas propalados nas páginas de Os Ridículos, na série editada em 1974 e 1975 e dirigida por Silva Nobre, na rua do Conde Redondo (n.º 12), em Lisboa. A edição de 27 de abril abre com uma frase premonitória: “Já estão fartos de me aconselhar a ir para a política… mas eu gostava mais de um emprego decente e honesto!” (Zé Povinho). Foi escrita e editada antes do pronunciamento militar, pois o “mais antigo semanário humorístico português” esperaria mais de uma semana após os acontecimentos do 25 de Abril para a eles se referir (4 de maio). A capa é elucidativa: sob um fundo vermelho e o perfil de uma fábrica, um operário exalta o seu contentamento, de punhos cerrados, exclamando: “Que limpeza só numa semana!!..”. O desenho é de Ferra, caricaturista de serviço deste semanário. Aliás, é dele a maior parte das referências à mudança de regime. Nas páginas interiores, desenha as caricaturas imaginadas de cinco figuras em redor de um Zé Povinho que parte as grades da prisão. A eles, pergunta-se: “Ora conte-nos que pensa do 25 de Abril”. – “Eu julgava que sabia o que era porrada!” (ex-P.I.D.E./D.G.S.), “O que é que eu hei-de cortar agora? Mas só tenho tesoura… não tenho serrote!...” (ex-Censor), “Agora é que eu quero ver para que serve o desemprego” (ex-Tachista), “Estou desempregado só porque aquele tipo se esqueceu dos canhões em casa!... (ex-Legionário), “Deixa passar esta linda brincadeira… do bailinho da Madeira! Olha se não me abaixo!...” (Marcelo [Caetano]) e “Mais vale tarde do que nunca” (Zé Povinho). Os textos que à mudança se referem ironizam, por exemplo, aqueles que, afinal, se diziam nunca ter sido alinhados com o regime deposto, ou uma entrevista televisiva a um alfaiate do povo que se alegra pela quantidade de casacas para virar e, ainda, a passagem à primeira divisão do clube de todos nós… Portugal. O tema da mudança de regime ainda se sentiria, com natural destaque, em edições seguintes deste semanário, que não ultrapassaria o Verão Quente (1975).
Jorge Mangorrinha









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